"Nós somos nós e as nossas circunstâncias" (Ortega y Gasset, "La rebelión de las masas", 1937)
terça-feira, 17 de abril de 2012
PSD perde a primeira votação na ALM | DNOTICIAS.PT
PSD perde a primeira votação na ALM | DNOTICIAS.PT
Há coisas assim... Um descuido e uma brecha na maioria. O desnorte está a aumentar. E onde está a oposição séria e a alternativa credível para aproveitar estas oportunidades e mostrar que é capaz de assumir o poder na ilha?
Boa música
Há muitas bandas desconhecidas mas que fazem muito boa música. Descobri hoje esta banda sueca, os Kite. "Johnny Boy" é uma amostra.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Pela estabilidade nas escolas
Foi noticiado pela comunicação social regional que finalmente foi alcançado um acordo entre a Secretaria Regional da Educação e dos Recursos Humanos e os sindicatos de professores relativamente ao Estatuto da Carreira Docente e ao sistema de avaliação de desempenho de professores. Um dos sindicatos recusou-se a aceitar o acordo.
Quem tem prestado atenção ao que se tem passado no ensino e educação na Madeira não pode deixar de continuar apreensivo. A verdade é que tem havido negociações, avanços, recuos, frases polémicas e os professores continuam a sentir uma grande instabilidade que em nada contribui para o sucesso dos alunos.
Claro que só podemos ter uma opinião formada e estruturante sobre o que foi acordado depois da devida divulgação, mas fica o meu desejo e esperança de que se acabe com algumas impunidades e irregularidades (para não dizer ilegalidades) que têm prejudicado os professores da RAM.
Em baixo a notícia sobre o acordo. Aguardemos e estejamos atentos para as novidades.
Secretaria de Educação e Sindicatos chegam a acordo com excepção do SPM | DNOTICIAS.PT
domingo, 15 de abril de 2012
Reencontro com Miguel Torga
Esta sexta-feira, num seminário de Literatura, tive o prazer de reencontrar Torga. Fica um cheirinho para abrir o apetite.
"Pátria sem rumo, minha voz parada
Diante do futuro!
Em que rosa-dos-ventos há um caminho
Português?
Um brumoso caminho
De inédita aventura,
Que o poeta, adivinho,
Veja com nitidez
Da gávea da loucura?
Ah, Camões, que não sou afortunado!
Também desiludido,
Mas ainda lembrado da epopeia!
Ah, meu povo traído,
Mansa colmeia
A que ninguém colhe o mel!...
Ah, meu pobre corcel
Impaciente,
Alado
E condenado
A choutar nesta praia do Ocidente..."
(Miguel Torga, in Diário XII, 1977)
Da idade da reforma e outras ficções
Em 2011 estreou "In time - O preço do amanhã", com realização de Andrew Niccol e com Justin Timberlake no papel principal.
A história resumida do filme é simples: num futuro pouco risonho, a tecnologia e os avanços científicos permitem à humanidade a capacidade de fazer com que os seres humanos se conservem, através de manipulações genéticas, sempre novos. Para isso, têm de comercializar o tempo de vida que lhes é atribuído num relógio incorporado no braço. Não há dinheiro e as trocas são feitas tendo sempre por base o factor tempo. A criminalidade tem apenas em conta esse vetor: mata-se para conseguir mais tempo. Claro está que os mais ricos fazem da comercialização e do roubo do tempo mais uma maneira de enriquecer. Quando acaba o tempo, o indivíduo morre.
O que tem isto a ver com a idade da reforma que, segundo parece, o nosso governo quer alterar de 65 para 67? Nada, pelo menos diretamente. Numa segunda instância, podemos interpretar o filme como uma metáfora do que se passa por essa Europa (é limitador pensar que é uma situação apenas portuguesa), onde se usa o argumento do aumento da esperança de vida para justificar tudo e mais alguma coisa em relação à idade da reforma e em relação às condições a que sujeitamos os reformados. A desumanidade com que tratamos pessoas que contribuíram para a sociedade, trabalharam, descontaram, pagaram os seus impostos não tem desculpa nem argumento que a justifique.
A verdade é que se trata de um problema social e não tenho solução para ele.Se no filme as pessoas ficam sempre novas, a vida real é mais complicada: envelhecem. Envelhecemos, sem qualquer contemplação. As sociedades devem refletir seriamente sobre o modelo em que se querem apoiar e não seguir atrás do que é imediato só porque o mundo financeiro está doente e asfixia tudo à sua volta.
Estranhamente o tempo está a acabar até que a situação se torne insustentável. Lá está ele, o tempo, útil, precioso, inevitável... E a idade da reforma chega a todos.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Nem tudo é mau em tempo de crise - Universidade de Coimbra: projeto de interajuda que une estudantes e idosos
Universidade de Coimbra: projecto de inter-ajuda que une estudantes e idosos
"Lado a Lado tem por objectivo proporcionar a jovens com dificuldades económicas uma habitação gratuita em troca de algum acompanhamento a idosos. Júlio Santos é estudante de Direito e é o primeiro jovem ao abrigo do projecto.
Lado a Lado e decidiu concorrer. Não só porque é estrangeiro e precisava de alojamento, mas também porque reconhece a importância deste tipo de iniciativas. «É a possibilidade de ajudar, de integrar, de participar num projecto de solidariedade mútua que existe entre as novas gerações e a terceira idade e também dar uma contribuição valiosa a um país estrangeiro que nos acolhe», justifica.
Este projecto arrancou há cerca de dois meses e surgiu depois de um contacto da Universidade de Coimbra com um programa já iniciado pela Federação Académica do Porto em parceria com a Câmara Municipal da invicta e a Fundação Porto Social em 2004, o Programa Aconchego. «Aqui em Coimbra, o programa teve uma fase inicial de longa negociação com várias entidades, centros de acolhimento e redes sociais. Ao fim de seis meses criámos uma parceria com o Centro de Acolhimento João Paulo II e o programa arrancou. Desde então, já temos um jovem colocado, o Júlio, e uma idosa ao abrigo do programa, a D. Maria de Lurdes», conta Ana Margarida Teixeira, Coordenadora Geral do Projecto Lado a Lado.
Neste momento, e porque a Dona Maria de Lurdes (a idosa que está a cargo do Júlio) não reunia todas as condições para o alojar, o estudante está a morar numa habitação paga pelo Centro de Acolhimento. Mas o acompanhamento à idosa está garantido. O Júlio, sempre que pode, dá-lhe apoio indo às compras, à segurança social resolver algum assunto ou ao centro de saúde mais próximo levantar uma receita médica. «É fazer aquilo que, de algum modo, ela tem dificuldade em fazer. Passa por desempenhar tarefas que implicariam a deslocação da senhora durante várias horas. Mas são tarefas pontuais, que posso desenvolver num dia e só depois de uma semana voltar a desempenhar outra tarefa, de acodo com os pedidos dela», explica o Júlio.
Apesar das mais-valias do projecto, o Júlio considera que ainda existem alguns preconceitos por parte de outros jovens estudantes face ao programa. Júlio acha que a comunicação que tem sido feita pode ter, nalguns casos, uma conotação negativa que pode afastar o interesse de outros colegas em participar nesta acção. «Alguns gostaram da ideia e ao início disseram que queriam participar, mas depois começaram a perder o interesse, dizem que não têm tempo. Acho que há uma ênfase muito forte sobre a carência e ninguém quer ser chamado de carente. Ao utilizar-se a expressão "carenciado" as pessoas sentem-se incomodadas. Penso que o ideal era dizer que os estudantes universitários agora podem associar-se à terceira idade ajudando naquilo que puderem de acordo com a sua disponibilidade».
Júlio diz que a aproximação com a D. Maria de Lurdes não foi difícil e a experiência tem sido positiva. «Não é uma relação onde se discute sobre futebol, mas também não é de trabalho. É uma relação bem definida, de respeito, de cordialidade, de confiança. É ajudar uma pessoa numa coisa concreta».
O estudante considera que existe uma responsabilidade da juventude em fazer essa aproximação com as gerações mais velhas, não só para destruir preconceitos, mas também como forma de aprender novos valores e novas coisas. No fundo, partilhar conhecimentos. «A juventude não tem sido bem vista na relação com os idosos porque algumas pessoas não têm feito coisas muito correctas. Temos aqui uma questão de responsabilidade e também o compromisso de envolvimento com uma pessoa idosa. Os universitários já têm um certo nível de saber, então é mais fácil compreenderem este problema, este fenómeno social. Sou estrangeiro e também tenho essa responsabilidade, de me envolver com pessoas diferentes. Posso aprender a fazer coisas que não sabia porque tenho essa vontade».
Para todos aqueles a quem esta reportagem aguçou a vontade de ser um membro Lado a Lado, note-se que ainda vão a tempo. Só precisam de se dirigir à Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra acompanhados do CV académico e de dados comprovativos da sua actual situação financeira. Ali, alguém há-de saber encaminhá-los."
Fonte: Mundo Universitário
De facto nem tudo é mau em épocas de crise. Um projeto interessante que pretende ajudar tanto estudantes a precisar de alojamento em Coimbra - cidade universitária por excelência - como idosos a precisar de companhia e de algum apoio para as tarefas do dia a dia.
Em baixo, transcrevo o texto da notícia na íntegra.
Apenas uma chamada de atenção: quando somos bombardeados com más notícias quase diariamente, é bom ver que há inovação e vontade de superar dificuldades. Este projeto não vai salvar o país, nem realizar milagres no coletivo, mas é com passos destes que se descobrem ideias inovadoras, práticas, úteis, sem esquecer a solidariedade para com quem precisa.
Lado a Lado e decidiu concorrer. Não só porque é estrangeiro e precisava de alojamento, mas também porque reconhece a importância deste tipo de iniciativas. «É a possibilidade de ajudar, de integrar, de participar num projecto de solidariedade mútua que existe entre as novas gerações e a terceira idade e também dar uma contribuição valiosa a um país estrangeiro que nos acolhe», justifica.
Este projecto arrancou há cerca de dois meses e surgiu depois de um contacto da Universidade de Coimbra com um programa já iniciado pela Federação Académica do Porto em parceria com a Câmara Municipal da invicta e a Fundação Porto Social em 2004, o Programa Aconchego. «Aqui em Coimbra, o programa teve uma fase inicial de longa negociação com várias entidades, centros de acolhimento e redes sociais. Ao fim de seis meses criámos uma parceria com o Centro de Acolhimento João Paulo II e o programa arrancou. Desde então, já temos um jovem colocado, o Júlio, e uma idosa ao abrigo do programa, a D. Maria de Lurdes», conta Ana Margarida Teixeira, Coordenadora Geral do Projecto Lado a Lado.
Neste momento, e porque a Dona Maria de Lurdes (a idosa que está a cargo do Júlio) não reunia todas as condições para o alojar, o estudante está a morar numa habitação paga pelo Centro de Acolhimento. Mas o acompanhamento à idosa está garantido. O Júlio, sempre que pode, dá-lhe apoio indo às compras, à segurança social resolver algum assunto ou ao centro de saúde mais próximo levantar uma receita médica. «É fazer aquilo que, de algum modo, ela tem dificuldade em fazer. Passa por desempenhar tarefas que implicariam a deslocação da senhora durante várias horas. Mas são tarefas pontuais, que posso desenvolver num dia e só depois de uma semana voltar a desempenhar outra tarefa, de acodo com os pedidos dela», explica o Júlio.
Apesar das mais-valias do projecto, o Júlio considera que ainda existem alguns preconceitos por parte de outros jovens estudantes face ao programa. Júlio acha que a comunicação que tem sido feita pode ter, nalguns casos, uma conotação negativa que pode afastar o interesse de outros colegas em participar nesta acção. «Alguns gostaram da ideia e ao início disseram que queriam participar, mas depois começaram a perder o interesse, dizem que não têm tempo. Acho que há uma ênfase muito forte sobre a carência e ninguém quer ser chamado de carente. Ao utilizar-se a expressão "carenciado" as pessoas sentem-se incomodadas. Penso que o ideal era dizer que os estudantes universitários agora podem associar-se à terceira idade ajudando naquilo que puderem de acordo com a sua disponibilidade».
Júlio diz que a aproximação com a D. Maria de Lurdes não foi difícil e a experiência tem sido positiva. «Não é uma relação onde se discute sobre futebol, mas também não é de trabalho. É uma relação bem definida, de respeito, de cordialidade, de confiança. É ajudar uma pessoa numa coisa concreta».
O estudante considera que existe uma responsabilidade da juventude em fazer essa aproximação com as gerações mais velhas, não só para destruir preconceitos, mas também como forma de aprender novos valores e novas coisas. No fundo, partilhar conhecimentos. «A juventude não tem sido bem vista na relação com os idosos porque algumas pessoas não têm feito coisas muito correctas. Temos aqui uma questão de responsabilidade e também o compromisso de envolvimento com uma pessoa idosa. Os universitários já têm um certo nível de saber, então é mais fácil compreenderem este problema, este fenómeno social. Sou estrangeiro e também tenho essa responsabilidade, de me envolver com pessoas diferentes. Posso aprender a fazer coisas que não sabia porque tenho essa vontade».
Para todos aqueles a quem esta reportagem aguçou a vontade de ser um membro Lado a Lado, note-se que ainda vão a tempo. Só precisam de se dirigir à Direcção Geral da Associação Académica de Coimbra acompanhados do CV académico e de dados comprovativos da sua actual situação financeira. Ali, alguém há-de saber encaminhá-los."
Fonte: Mundo Universitário
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Satélite Envisat despediu-se a olhar para Portugal - Ciências - PUBLICO.PT
Satélite Envisat despediu-se a olhar para Portugal - Ciências - PUBLICO.PT
Esta notícia é curiosa: quando passava sobre o nosso país, um satélite deixou de transmitir a cores e, pouco tempo depois, deixou simplesmente de comunicar.
Não deixa de nos interpelar e de nos levar a leituras alegóricas: estaremos a "perder cor" enquanto país? Estas medidas draconianas de controlo orçamental, que não olham a nada mais a não ser ao financeiro, não permitem encarar a realidade presente - e, logo, o futuro - com boas cores. Mas não apagou logo a comunicação: ainda houve uns momentos de transmissão a preto e branco. Alegoria: o apagamento, um dia a dia mais triste, sombrio. Até ao desaparecimento final.
Pode ser este o percurso, ou não. Sabemos que já civilizações inteiras sucumbiram a condicionantes mais ou menos trágicas e inesperadas. O nosso problema é que estamos a presenciar acontecimento atrás de acontecimento, medida atrás de medida, e temos noção do perigo.
Não nos importamos com o "perder a cor", mas e quando a comunicação simplesmente deixar de existir?
E que riscos verdadeiros corremos? Que devir para a nossa vida coletiva?
Guardas prisionais denunciam falta de meios e insegurança nas cadeias - Sociedade - PUBLICO.PT
Guardas prisionais denunciam falta de meios e insegurança nas cadeias - Sociedade - PUBLICO.PT
Hospitais, centros de saúde, escolas, tribunais, empresas de transportes, cadeias... Já se sabe que a situação estava complicada e que o caminho a percorrer teria de ser penoso, mas daí até aceitar passiva a acriticamente as condições terceiro-mundistas que nos querem impor, vai uma diferença grande.Há sempre o grande argumento de que tem de ser, que não há dinheiro para mais e que temos de aguentar o barco até melhores dias. Mas o que está a ser feito para chegarmos a esses melhores dias? Tirar medicação nos hospitais a doentes cuja vida depende dela, subtrair refeições aos alunos nas escolas, deixar pessoas à fome e famílias inteiras (muitas com crianças à fome) é criminoso.
Protestar e exigir melhor governação não é incitar à revolta nem um favor que nos fazem, é um imperativo da democracia em que (supostamente) vivemos.
Al Berto: letras, palavras, poesia...
"Pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer
pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas
é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves
já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes"
Al Berto
In Rumor dos Fogos (1992)
Não é possível - por razões óbvias - esgotar as palavras e interpretações no que toca à poesia de Al Berto.
Este poema entra-nos no espírito como a noite sucede ao dia: suave, total, inevitável. Há um "tu" que pernoita em mim e uma memória que se materializa e que pode ser tocada, quer pelo amor, quer pelo fingimento da morte (serão as duas coisas idênticas, será o amar e o dar um pouco de si ao outro morrer já um bocadinho?).
Mas no ar ainda há aroma (cheiro) que é luminoso (visão) que talvez possamos tocar (tato) quando se desfaz no rumor (audição) da terra queimada.
Provavelmente este sujeito poético pensante pretende uma absolvição pela diluição numa sinestesia de sensações últimas, apenas possível na iminência da morte (ou do amor?).
Mas a realidade é que a noite permanece e o envelhecimento traz a solidão, nada restando, pois tudo foi destruído pelo fogo (quem sabe, pela vida).
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Sugestão de espetáculo de marionetas no Funchal
No dia 15 de abril, no Teatro Municipal Baltazar Dias, irá acontecer magia com o espetáculo de marionetas "Fios" com "com um PIANISTA, uma LAGARTA, um
ACORDEONISTA, uma AVESTRUZ, um LEÃO PATINADOR, uma GALINHA e dois GATOS,
entre muitas outras personagens fascinantes", como se lê na página de facebook que divulga o espetáculo.
Mais uma vez se comprova que temos bons espetáculos de teatro e de animação na Madeira e que as vozes catastrofistas afinal não têm sempre razão.
O preço do bilhete é 5 euros e há sessão às15h30m e outra às 17h30m com a duração aproximada de 60minutos.
Fica a sugestão:)
terça-feira, 10 de abril de 2012
Entrevista ao ator Simão Rubim
Em entrevista à SIC, fala-se de teatro, de arte e das condições do teatro em Portugal. Reflexões interessantes do ator Simão Rubim.
http://publication.prod.wcm.impresa.pt:8080/sicnot/programas/jornaldas9/article1481287.ece
http://publication.prod.wcm.impresa.pt:8080/sicnot/programas/jornaldas9/article1481287.ece
segunda-feira, 9 de abril de 2012
O laranjal cá do sítio
Começo com um conto de fadas.
Era uma vez uma laranjeira que nasceu numa ilha paradisíaca, onde a água era abundante, onde o sol brilhava o ano quase todo e as temperaturas eram quase sempre primaveris. Nestas condições, a árvore cresceu formosa e espalhou-se pela ilha, formando um lindo e cobiçado laranjal: os frutos brotavam com frequência e todos queriam apanhar laranjas frescas e sumarentas.
Quando outras espécies tentavam avançar, o laranjal, zeloso do seu espaço e dos seus clientes acostumados, bania-as. Orgulhoso, o laranjal ocupou todos os espaços disponíveis e não deixou mais nenhuma árvore florescer: apenas laranjas, mais nada.
Ano após ano, as laranjas frutificavam e as raízes estavam cada vez mais fortes e fundas, consumindo a água armazenada, água doce e bebível, fresca e disponível para todos.
Até que a água começou a faltar. O laranjal continuou a afundar mais as suas raízes em busca do líquido precioso e não encontrava água para se abastecer. As mãos que tentavam apanhar laranjas levavam logo uma cacetada para não voltarem a cobiçar laranjas alheias. Mesmo entre as laranjas, começou uma guerra silenciosa, pois cada uma queria ocupar mais espaço, ter mais protagonismo, ser a laranja mais poderosa e cobiçada do laranjal.
Até que o laranjal começou a dar sinais de estar a secar. Outras laranjeiras tentaram ocupar o lugar central e mandar no laranjal lá do sítio, mas a árvore mais velha e soberana lá do sítio continuava a não deixar.
Finalmente tudo secou. As laranjeiras e os que delas dependiam. O sumo acabou e toda a gente ficou triste e morreram à fome e à sede.
Não era propriamente este o final ideal para esta história (puramente fictícia, diga-se, sem qualquer semelhança com a realidade nem qualquer analogia política possível).
Não quero nem vou fazer deste espaço um painel de propaganda política de qualquer espécie. Mas quando vi este cartoon no "Diário de Notícias" da Madeira não pude deixar de partilhar.
Fica a reflexão.
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