quarta-feira, 2 de maio de 2012

"Diário de Notícias" da Madeira e a crise

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A crise bateu à porta do "Diário de Notícias" da Madeira, um matutino com mais de cem anos de divulgação e com uma tradição enraizada no dia a dia dos madeirenses. Num comunicado com seis pontos, assinalam as dificuldades por que vêm passando e uma medida dolorosa para continuar a assegurar o seu funcionamento e a manter os postos de trabalho.
Não sei bem o que pensar disto: estará a situação assim tão penosa? E terão de ser os trabalhadores deste "Diário", alguns com muitos anos de serviço e dedicação à casa, a pagar?
Em baixo, transcrevo na íntegra o comunicado da gerência.

"1. É do conhecimento geral a crise económica mundial, nacional e regional que atinge fortemente as empresas e as famílias.

2. Em Portugal e na R.A.M. essa crise foi fortemente acentuada pela necessidade de recurso e implementação de medidas severas de austeridade.

3. Em consequência da referida crise e das ditas medidas, as empresas na Madeira foram colocadas numa situação de extrema dificuldade para a sua viabilidade e funcionamento e, pelo que respeita à Empresa do Diário de Notícias, Lda.(EDN), tais dificuldades encontram-se profundamente agravadas pela conhecida concorrência desleal que lhe continua a ser movida pela Empresa Jornal da Madeira, Lda., sendo que o jornal por ela editado é financiado por recursos públicos que, naturalmente, constituem, conjuntamente com aquelas medidas de austeridade, uma grave perturbação à actividade da EDN para e na edição do seu jornal “Diário de Notícias – Madeira” (Diário).

4. Neste contexto, e para salvaguardar a manutenção de todos os postos de trabalho da EDN e a edição diária do Diário, esta empresa propôs a todos os seus trabalhadores uma redução do tempo de trabalho com a correspondente redução das suas retribuições, num caso e noutro de 10%, pelo período de um ano.

5. A EDN espera que todos os seus trabalhadores, conscientes como estão da descrita situação, corresponderão, embora com sacrifício, a esta iniciativa da empresa, na expectativa de que, superada ou minimizada a actual crise, seja retomada a normalidade laboral.

6. De qualquer modo, a EDN frisa que o Diário manterá a qualidade, independência e isenção que o têm distinguido para promoção e defesa dos interesses de todos os madeirenses.

O Conselho de Gerência"


terça-feira, 1 de maio de 2012

Pingo Doce, fuja já!

Este podia ser a nova frase de promoção da cadeia Pingo Doce.
Hoje, 1º de maio de 2012, esta cadeia decidiu fazer uma campanha agressiva e oferecer 50% de desconto a quem fizesse compras com valor superior a 100 euros. Como calculam, foi o caos.
Passei perto de dois destes supermercados e nem me atrevi a aproximar-me demasiado; depois vim a saber que alguns fecharam às 18h de modo a escoar as pessoas em segurança.
Boa forma de comemorar o Dia do Trabalhador: um povo a aproveitar cada oportunidade que tem para ganhar qualquer coisa que alivie, ainda que momentaneamente, as difíceis condições a que está sujeito.
As notícias mostraram imagens de prateleiras vazias, como se de uma catástrofe se tratasse, e até nós chegaram notícias de algumas confusões entre clientes.
A crise não pode servir de justificação para tudo. Provavelmente em condições normais seria a mesma enchente. Seja como for, fica a imagem de um país em aperto, sem saber para onde se voltar. Hoje voltou-se para o Pingo Doce.Quanto a mim, bem... decidi não arriscar e fui beber uma poncha.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Onde o Teatro acontece

Ontem apercebi-me novamente de que o Teatro pode acontecer em qualquer lugar. Já o sabia, já o tinha visto acontecer em lugares mais extravagantes e improváveis, como uma brisa que sorrateiramente entra e faz-nos sentir a sua presença sem que estejamos à espera. 
O Teatro Bolo do Caco, que dinamiza o espaço 116, na Rua de Santa Maria (Zona Velha do Funchal), apresentou este fim de semana, em três sessões, o trabalho "Rabos-de-Peixe. Episódios da Zona Velha". O próprio nome diz tudo: presentearam-nos com quadros do quotidiano daquela zona da cidade e de pessoas que por lá andaram há muitos anos. Qualquer funchalense identificar-se-ia com aqueles ecos do passado e com uma maneira de ser e de linguarejar que nos são muito caraterísticas.
O espaço 116 não é mais do que uma casa abandonada e velha. As paredes quase já não têm tinta, as janelas estavam tapadas com panos pretos apenas e vê-se as traves no teto que ainda resta. Não seria um espaço apropriado a receber um espetáculo teatral. mas este fim de semana o Teatro aconteceu. E foi uma boa surpresa. 
Conheço aquelas caras jovens com amor ao Teatro. E fiquei com vontade de representar novamente. Cedo. O quanto antes. Em qualquer espaço. Mesmo considerando que o espaço era reduzido e que a disposição das cadeiras não deixou ver com clareza as cenas que aconteciam num nível inferior, gostei. Foi um bom começar.
Venha a próxima.



domingo, 29 de abril de 2012

Blood Of My Blood (Sangue do Meu Sangue) - TRAILER



O Filme "Sangue do meu sangue", do realizador João Canijo, ganhou o prémio New Vision, na Áustria. Mais um para o seu percurso que já vai contando com alguns prémios importantes e a provar que em portugal também se faz bom cinema.
O filme é protagonizado por Rita Branco, Anabela Moreira, Cleia de Almeida, Nuno Lopes e Rafael Morais. 

sábado, 28 de abril de 2012

Desenhos realistas





Pau Cadden, escocês, é artista e os seus desenhos estão a fazer furor desde que foram expostos em fevereiro último. Parecem fotos, mas são mesmo desenhos, feitos a lápis sem mais qualquer equipamento.
O artista afirma que “O hiper-realismo tende a criar um impacto emocional, social e cultural e difere de foto-realismo que é muito mais técnico. A minha inspiração vem da frase: intensificar o normal. Eu uso objectos e cenas de pessoas do quotidiano e depois crio um desenho, que carregue um impacto emocional”.
Podem encontrar mais em http://paulcadden.com/.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Algumas sugestões e alguma cultura

Para aqueles que estão sempre a dizer que nunca acontece nada de diferente nesta terra e que os momentos culturais não existem, cá deixo algumas sugestões, uma pequena amostra do que por cá vai acontecendo.

  •  Teatro Baltazar Dias - Festa do Cinema Italiano - de 26 a 29 de abril

  • Na Zona Velha da cidade - "Rabos de Peixe - episódios da zona velha" - Teatro do Bolo do Caco:
            •  dias 27 e 28 de abril - sexta e sábado - às 21h
            • dia 29 de abril - domingo - às 18h



  •   Fórum Machico - "A Fúria de Shakespeare" - Porventura Teatro - 28 de abril, às 21h

  •  Centro Cívico de Câmara de Lobos - "Violências" - GMT Oficina Versus (principalmente para escolas)
      •  3 de maio, às 15h
      • 4 de maio, às 11h
  • Casa da Cultura de Santana - Dia Mundial da Dança (29 de abril) - a partir das 15h



  • Auditório do Centro de Congressos da Madeira - Dia Mundial da Dança (29 de abril) - Bailado "Branca de Neve" - Escola de bailado Carlos Fernandes.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Trova do Vento que Passa

 Trova do Vento que Passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

terça-feira, 24 de abril de 2012

Fernando Pessoa por Joao Villaret - Liberdade



Encontrei este poema de Fernando Pessoa citado por João Villaret numa página de facebook de um amigo e fiquei logo com vontade de ouvi-lo repetidas vezes. Não se fala de liberdade tantas vezes quanto podíamos ou devíamos. Às vezes nem sequer se fala dela ou nem por ela damos. Às vezes nem a temos e também passa-nos ao lado o facto de por vezes ser uma ilusão num mundo controlado por instituições nem sempre bem intencionadas.
Amanhã, 25 de abril, fala-se de liberdade em Portugal. Cheira a Abril (com maiúscula!). A liberdade a que aspirámos e pela qual combatemos, a que tivemos, a que sonhámos ter, a que supostamente tivemos e a que perdemos (partindo do princípio inocente de que dela alguma vez usufruímos). Mas liberdade é liberdade, Pessoa é pessoa e poesia é poesia... Um momento de liberdade para ler e ouvir, nem que seja uma doce ilusão.



Liberdade 

 Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro


Comemora-se hoje o Dia Mundial do Livro. O dia de ler, do prazer de ler, de tocar nos livros e de ter com eles uma relação íntima que nos traz responsabilidades, direitos e deveres. Por isso, relembro os direitos inalienáveis dos leitores tais como enunciados por Daniel Pennac em Como um Romance

O direito de não ler.
O direito de saltar páginas.
O direito de não acabar um livro.
O direito de reler.
O direito de ler não importa o quê.
O direito de amar os “heroís” dos romances.
O direito de ler não importa onde.
O direito de saltar de livro em livro.
O direito de ler em voz alta.
O direito de não falar do que se leu.

Claro que estes direitos trazem grande responsabilidade;  não se trata da desresponsabilização do leitor, como numa primeira leitura se poderia supor. Encarada numa perspetiva em que se leva a um certo extremo a Estética da Receção, assim como o Reader Response Criticism de tradição anglo-americana, a verdade é que, ao longo das páginas deste livro, é feito um convite à leitura e defende-se a importância de ler para a formação dos indivíduos. Quando mais não seja pelo prazer de ler à boa maneira de Barthes. Por isso, meus amigos, nada de desculpas: vamos lá pegar num livro e ler! Afinal ainda é um dos maiores prazeres da vida.

domingo, 22 de abril de 2012

Festa da Flor na Madeira 2012







O Funchal hoje esteve assim, florido. Uma festa que se pretende uma homenagem à flor, à Primavera e, claro, a tudo a que a flor simboliza de bom no mundo. Foi um dos nossos melhores cartazes turísticos a funcionar e com casa bem cheia. Fica aqui um cheirinho (as fotos, infelizmente, não são minhas, mas não pude deixar de partilhar).

sábado, 21 de abril de 2012

Miguel Araújo - Os Maridos Das Outras



Brilhante! É o mínimo que se pode dizer para caraterizar esta música. 
A riqueza do poema, aliada à simplicidade e leveza das palavras, a uma sonoridade que nos eleva e ao seu esquema rimático escolhido com primor fazem com que seja uma relíquia a não perder, a um nível que não se via desde Fernando Pessoa.
Além do mais, o tema, tão atual faz com que toda a gente se identifique com a mensagem transmitida.
Para ouvir com atenção!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fucking não consegue mudar de nome - Mundo - PUBLICO.PT

Fucking não consegue mudar de nome - Mundo - PUBLICO.PT


Há nomes de terriolas bem esquisitos. Os 104 habitantes de Fucking vão a votos esta semana para mudar de nome da povoação. Porque será? A brincadeira é tanta que as placas até são roubadas.
Portugal também lá terá os seus: Venda da Gaita, Venda das Raparigas, Picha, Cabrões, Vale da Rata, Rio Cabrão, etc.
Lá nisso fomos imaginativos...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Apetece-me poesia

Hoje não me apetece publicar nada sobre política nem sobre crise. Para isso, basta o dia a dia, ligar a televisão, folhear um jornal, ouvir as conversas de café. Apetece-me poesia... Como escreveu Manuel Alegre no seu último livro (que saiu esta segunda-feira), "Não sei se há poemas sem país". 
O querer chegar a um palácio e aperceber-se de que está vazio é uma imagem carregada de grande simbolismo. Percorrendo desertos e sóis qual cavaleiro andante, personagem quase quixotesca, busca o palácio encantado da Ventura que, provavelmente nunca terá. E no fim, apercebe-se de que realmente o próprio castelo é uma ficção, cheio de silêncio e escuridão. Percorrem estas palavras um tom melancólico: provavelmente este sujeito poético já sabia qual seria o resultado da sua demanda.

O Palácio da Ventura  

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

Antero de Quental, in "Sonetos"

Comentário de uma professora

Num programa da SIC, uma professora foca alguns problemas - e algumas verdades - sobre a educação e o ensino em Portugal. Mesmo considerando que a professora se emocione com o que vai dizendo, tal só evidencia o grau de saturação a que os docentes do nosso país estão a chegar.
O melhor mesmo é ouvir; cada um reflita e tire as suas conclusões.