quarta-feira, 16 de maio de 2012

Jaime Freitas e o próximo concurso de professores da RAM



Jaime Freitas admite redução de professores devido a reforma curricular | DNOTICIAS.PT

Nesta notícia do "Diário de Notícias" da Madeira seguem recentes declarações do Secretário Regional da Educação e Recursos Humanos, onde alude a mudanças no próximo concurso de professores para a RAM, que o mesmo diz acontecer em finais de maio ou inícios de junho.
Verdade seja dita que algumas das alterações, que farão com que muitos professores, principalmente os mais novos e a contrato, fiquem fora do sistema, estão ligadas com as imposições das mais recentes reformas curriculares. Também entendemos que não há lugar para toda a gente. O que já não compreendemos é que seja novamente a educação e o ensino (que deveria ser uma área em permanente investimento, pois ensino e educação, assim como conhecimento, nunca são demais) que irão pagar alguns desgovernos e algumas opções irrefletidas (para não dizer irracionais) do passado.
Aguarda-se desenvolvimentos.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Eduardo Lourenço e a profissão de pensar


Eduardo Lourenço, neste momento com 88 anos, dispensa grandes apresentações. É simplesmente um dos maiores pensadores, filósofos e ensaístas do nosso país e figura incontornável da nossa cultura mais recente. Por isso não me surpreende que lhe seja entregue o Prémio Pessoa 2011. 
Este prémio é concedido anualmente a uma pessoa de nacionalidade  portuguesa que, durante esse período - e na sequência de uma atividade anterior  -, tenha sido protagonista "de uma intervenção particularmente relevante  e inovadora" na vida artística, literária ou científica do país. A justiça desta iniciativa é ainda mais percetível se fizermos um balanço da vida e das publicações de Eduardo Lourenço, principalmente aquela relacionada com Fernando Pessoa.
Quem quiser informações mais completas e específicas sobre a vida, obra, pensamentos, depoimentos e intervenções de Eduardo Lourenço, encontrará facilmente, na internet, informações precisas, como por exemplo em http://www.eduardolourenco.com/.
Apenas uma curiosidade: neste momento em que vos escrevo, as televisões já transmitiram em direto a chegada do primeiro-Ministro e do Presidente da República. De facto é importante saber a cor dos fatos que vestem, em que cadeiras ficarão sentados, ou ainda quem cumprimentaram e ao pé de quem irão estar durante a cerimónia. Mas interessava-me mais o galardoado. O dia deveria ser dele.

domingo, 13 de maio de 2012

O Curioso Caso de Benjamin Button


Revi "O curioso caso de Benjamin Button" (realizador, David Fincher, 2008) e relembrei-me porque tinha gostado tanto do filme da primeira vez.
O filme é baseado numa historia de Scott Fitzgerald: um homem que nasce com oitenta anos e começa a regredir e a ficar mais novo em vez de envelhecer.
Para além de uma representação muito boa de Brad Pitt (a mostrar que é mais do que uma cara bonita e que também sabe representar), o elenco conta também com a brilhante Cate Blanchet.
Os sentimentos do ser humano e as vicissitudes da condição humana estão todas presentes no filme, mas numa vida que se vive ao contrário. Como o próprio Bemjamin Button diz logo na primeira frase do filme, "Eu nasci sob circunstâncias pouco usuais": o filme não trai este pressuposto e as expetativas do espetador não saem defraudadas. Sem dúvida a rever mais vezes para que cada um de nós possa tirar ensinamentos e fazer as suas próprias reflexões: vida, morte, amor, paixão, experiências, guerras, vidas que se cruzam mas que andam em sentidos (e tempos) opostos.

sábado, 12 de maio de 2012

A música de Bernardo Sassetti


Queria escrever sobre a morte de Bernardo Sassetti mas não o conheci a não ser através da sua música (e ainda assim também não conhecia lá muito). Por isso não posso escrever sobre Bernardo Sasseti nem do facto de uma queda de uma falésia ter causado o seu desaparecimento sem que ninguém o previsse.
Poderia escrever sobre música (que melhor homenagem a um músico!), mas também não percebo lá muito de música. Como falar de alguém que não conhecemos pessoalmente, da música desse alguém que também não conhecemos aprofundadamente e sem conhecimentos especializados sobre música? Melhor então ficar quieto e escrever sobre o que esta música me sussurra ao ouvido.
Há músicas que nos lembram momentos do passado, outras fazem-nos recordar sentimentos, ainda as há que nos fazem chorar e ainda podíamos fazer referências àquelas que não nos dizem absolutamente nada. Mas não podemos dizer que não gostamos de música, seja de que tipo for.
Esta (do filme "Alice" de Marco Martins) lembra-nos precisamente a noite. Qualquer noite: calma, brisa quente de verão, as ruas iluminadas pelos candeeiros e um cão rafeiro em busca de um sítio silencioso para dormir. Lembra-nos os ruídos da noite, um carro que passa ao longe, o barulho dos carros do lixo e dos homens e das mulheres que trabalham depois do sol posto. Algumas vozes ao longe sem que nos apercebamos exatamente de onde vêm. E um casal de namorados num banco no cais da cidade. Traz-nos à ideia rostos de pessoas que se cruzam por nós e que não fixamos, mundos em deriva, sem sol, sem luz, apenas o silêncio da noite no olhar. Sussurra-nos desejos e vontades que não confessamos à luz dos dias. E isso faz-nos mais humanos do que alguma vez fomos. Esse o poder da música, essa a magia que Sassetti nos traz.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A coragem de um Presidente



Obama foi o primeiro Presidente norte-americano a assumir que apoia os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Podemos até argumentar que só concedeu este apoio em tempo de eleições, mas ao contrário do que se possa pensar, numa comunidade como a norte-americana, penso que até lhe poderá tirar mais votos do que lhe aumentar a votação.
Seja como for, o que importa agora é passar da prática aos atos e fazer com que esse tipo de injustiças fique no passado.
Veja o vídeo da entrevista no link abaixo disponível:

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ensinamentos pelo tempo



"Não há terra mais dificultosa de governar que a pátria, nem há mando mais mal sofrido, nem mais mal obedecido do que o dos iguais." (Padre António Vieira, "Sermão da Dominga Vigésima Segunda")

Padre António Vieira era um homem do seu tempo e empenhado no seu tempo. É um facto inegável e uma qualquer pesquisa sobre esta figura das letras portuguesas (como por exemplo a leitura da entrada da Biblos, do grande Aníbal Pinto de Castro, sobre este autor, que nos dá uma perspetiva da sua obra e de como a sua vida está nela refletida como uma impressão digital) corrobora esta afirmação.
De facto, tenho uma admiração por homens e mulheres que, nos mais variados momentos, debaixo das mais díspares circunstâncias (estas por vezes bem adversas) excedem a sua condição humana e tornam-se maiores que eles próprios. Sentimos que provavelmente hoje não temos homens com esta fibra, o que nem sempre é verdade.
Esta frase excecional só podia ter sido pronunciada por alguém excecional. Penso não ser rebuscado afirmar que Vieira amava seu país e que esse amor à pátria lhe aguçou a verve crítica e o olhar atento sobre o seu tempo e sobre o mal da sociedade de então. E esse mal era fruto das imperfeições dos seres humanos: somos seres imperfeitos por natureza, e a sociedade, sendo uma criação humana, não podia também deixar de o ser. 
A pátria está povoada de homens que não se governam e não se deixam governar e desse mal já se queixavam os romanos aquando das invasões, dizendo que os povos que habitavam esta parcela de território nem se governava nem se deixava governar. O alcance de frases como esta do jesuíta evidenciam bem a grandeza do pensamento, mesmo que movido, por vezes, por um pragmatismo politicamente orientado (para não dizer comprometido): consegue captar aquilo que havíamos sido, aquilo que éramos e aquilo que viríamos a ser.
Vieira era jesuíta mas não era um santo, mas lê-lo é sempre um prazer, seja nas cartas ou nos sermões. Mais uma prova da sua grandeza: mesmo depois de séculos, continua a ensinar-nos.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Descobrindo Rufus Wainwright - "The Maker Makes"

Mais Teatro


O TEF estreia, a 12 de maio, o espetáculo "O PRÍNCIPE COM ORELHAS DE BURRO", versão cénica para o TEF por Eduardo Luíz e Magda Paixão (2012), a partir de PAÇOS, Fernando e VIANA, António Manuel Couto, 2008, O Príncipe Que Tinha Orelhas de Burro, Editorial Verbo. 
Não vou contar a história, apesar de ser uma história que faz parte da nossa infância que é sempre bom rever e revisitar.Certamente vou ver e levar público (os meus alunos que se preparem).
Em baixo a calendarização e preçário, tal como na página de facebook criada para a apresentação da peça:

CALENDARIZAÇÃO12 DE MAIO A 8 DE JUNHO DE 2012

LOCAL: CINE-TEATRO MUNICIPAL DE SANTO ANTÓNIO

SESSÕES PARA O PÚBLICO EM GERAL: SÁBADOS ÀS 18H00

SESSÕES NO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA - 1 de Junho de 2012: ÀS 9H30, 11H15 E ÀS 15H00

SESSÕES SEMANAIS PARA AS ESCOLAS, MEDIANTE MARCAÇÃO: QUARTAS E SEXTAS: 9H30 E ÀS 11H15 E TERÇAS E QUINTAS: 10H00 E ÀS 15H00

DURAÇÃO DO ESPETÁCULO: APROX. 60 MINUTOS 

PREÇÁRIO BILHETEIRA TEF | 2011 | 2012

ESCOLAS E INSTITUIÇÕES (MEDIANTE MARCAÇÃO PRÉVIA): 2,70 €

MAIORES DE 65 ANOS (INCLUSIVE), ESTUDANTES E PROFESSORES, GRUPOS SUPERIORES A 10 PESSOAS E PARCERIAS COM O TEF:  5,00 €

PÚBLICO EM GERAL: 10,00 €

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quando um país não se entende


 Já deixei de tentar perceber o que vai na cabeça dos gregos. Se houve algo de romanticamente simpático na maneira como quiseram manifestar-se contra as "ordens" dos mercados, a verdade é que deixar arrastar uma situação de instabilidade, de quase bancarrota e de grande explosão social até à rutura pode ser perigoso, não só para o país que nos ensinou a democracia, mas também para um dos projetos mais interessantes e ambiciosos da história da humanidade: a União Europeia.
O partido mais votado afirmou que não consegue construir uma coligação governamental que traga alguma governabilidade ao país. O Presidente da República é assim obrigado a convidar o segundo partido mais votado, que é assumidamente de esquerda radical, o que também se revelará pouco promissor.
Aguardemos pelos próximos dias - tem sido essa a sina nos últimos tempos: aguardar...

domingo, 6 de maio de 2012

Grécia





A Grécia também foi a votos hoje. Depois de anos de más notícias, seria de esperar que estas eleições trouxessem boas notícias e algum alívio, pois a verdade é que os olhos da Europa também estavam voltados para lá (e não só para França).
A verdade é que os primeiros resultados não auguram nada de bom.O maior partido, a Nova Democracia, não conseguiu uma votação expressiva (entre 17% a 20%). O PASOK desceu para terceira força política (entre 14% e 17%). Surpresa foi o segundo lugar para a coligação da Esquerda Radical (Syrisa, entre os 15% e os 18%). Mesmo sem os resultados finais ainda apurados, a verdade é que os partidos pró-austeridade não conseguem à partida maioria e o Parlamento ficará pulverizado com vários partidos, alguns dos quais extremistas (de direita e de esquerda).
Aguardemos os próximos dias.

Eleições Francesas: Hollande Presidente





Este é o novo rosto do Eliseu. Desde 1995 que o Partido Socialista não conseguia eleger um Presidente da República em França. desta vez, François Hollande conseguiu. Uma maneira de fazer política foi derrotada, assim como uma governação sem um rumo definido. 
As primeiras projeções são as seguintes:


MATER


"Mãe com criança enferma". Pablo Picasso, 1903.  
Metropolitan Museum of Art, New York.

 Uma das coisas que é comum é que todos tivemos Mãe. Pode ainda estar connosco ou não, mas que passou por nós, de uma maneira ou de outra, isso é inegável. E devemos estar felizes por isso, independentemente de tudo o que de mau possa ter acontecido.Nem que seja naquele momento único na vida de uma mulher em que dá vida a outro ser, ela esteve connosco. E naquele momento tudo, deu-nos a possibilidade de sermos tudo na vida. E porque há coisas que só os poetas conseguem dizer, deixo-vos com  Herberto Hélder.

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.
 
 
(excerto do poema «Fonte», publicado em A Colher na Boca, 1961)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Noites de Lua cheia



De sábado para domingo é noite de Lua cheia. De sábado para domingo, a Lua vai estar particularmente perto da Terra. Momento ideal para ir para a rua uivar. Ou então dar um passeio... Cuidado para não crescer pelo nem coisa que valha... E aproveitem: se calhar há tanto tempo que não olham para o céu. Se falharem desta vez, sempre podem esperar até as próximas oportunidades para se observar uma Lua tão grande:  a 19 de Março de 2013 e a 10 de Agosto de 2014.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

"Diário de Notícias" da Madeira e a crise

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A crise bateu à porta do "Diário de Notícias" da Madeira, um matutino com mais de cem anos de divulgação e com uma tradição enraizada no dia a dia dos madeirenses. Num comunicado com seis pontos, assinalam as dificuldades por que vêm passando e uma medida dolorosa para continuar a assegurar o seu funcionamento e a manter os postos de trabalho.
Não sei bem o que pensar disto: estará a situação assim tão penosa? E terão de ser os trabalhadores deste "Diário", alguns com muitos anos de serviço e dedicação à casa, a pagar?
Em baixo, transcrevo na íntegra o comunicado da gerência.

"1. É do conhecimento geral a crise económica mundial, nacional e regional que atinge fortemente as empresas e as famílias.

2. Em Portugal e na R.A.M. essa crise foi fortemente acentuada pela necessidade de recurso e implementação de medidas severas de austeridade.

3. Em consequência da referida crise e das ditas medidas, as empresas na Madeira foram colocadas numa situação de extrema dificuldade para a sua viabilidade e funcionamento e, pelo que respeita à Empresa do Diário de Notícias, Lda.(EDN), tais dificuldades encontram-se profundamente agravadas pela conhecida concorrência desleal que lhe continua a ser movida pela Empresa Jornal da Madeira, Lda., sendo que o jornal por ela editado é financiado por recursos públicos que, naturalmente, constituem, conjuntamente com aquelas medidas de austeridade, uma grave perturbação à actividade da EDN para e na edição do seu jornal “Diário de Notícias – Madeira” (Diário).

4. Neste contexto, e para salvaguardar a manutenção de todos os postos de trabalho da EDN e a edição diária do Diário, esta empresa propôs a todos os seus trabalhadores uma redução do tempo de trabalho com a correspondente redução das suas retribuições, num caso e noutro de 10%, pelo período de um ano.

5. A EDN espera que todos os seus trabalhadores, conscientes como estão da descrita situação, corresponderão, embora com sacrifício, a esta iniciativa da empresa, na expectativa de que, superada ou minimizada a actual crise, seja retomada a normalidade laboral.

6. De qualquer modo, a EDN frisa que o Diário manterá a qualidade, independência e isenção que o têm distinguido para promoção e defesa dos interesses de todos os madeirenses.

O Conselho de Gerência"