sexta-feira, 8 de junho de 2012

Poema visual de Ana Hatherly

 
"O escritor"
Ana Hatherly (1975)

É sempre bom encontrar surpresas destas no nosso dia a dia. Sem estarmos à espera, entre livros e papéis, entre teorias mais ou menos aliciantes, há sempre a possibilidade de encher um pouco mais o sentido da existência de uma tarde fechada numa biblioteca com mais do que contávamos.
Deparei-me com este brilhante poema visual de Ana Hatherly, a provar que se há artistas que se superam, há momentos em que a poesia é também maior que ela própria e cumpre propósitos que ultrapassam o da simples fruição estética.

Teatro hoje à noite

Hoje, às 21h, no Centro Cívico do Curral das Freiras, o espetáculo Malvadas - Tudo sobre Sharon, Sheila e Shirley pelo grupo de teatro Teatral.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Festival de Música da Madeira 2012


Não é que não haja informação suficiente em variadíssimos sites, mas seja como for, para os mais preguiçosos, fica aqui o programa divulgado do festival de Música da Madeira 2012.

                                             PROGRAMAÇÃO OFICIAL

1 de junho - 6.ª feira
XXXIII Festival de Música da Madeira – Organização da Direção Regional dos Assuntos Culturais/SRT
21h30 – Espetáculo pela Companhia de Bailado Vera Mantero, no Centro das Artes - Casa das Mudas

2 de junho - sábado
XXXIII Festival de Música da Madeira
17h00 – Espetáculo pela Companhia de Bailado Vera Mantero, no Centro das Artes - Casa das Mudas

3 de junho - domingo
XXXIII Festival de Música da Madeira
18h00 – Espetáculo por Viento de Tango, no Teatro Municipal Baltazar Dias

4 de junho - 2.ª feira
XXXIII Festival de Música da Madeira
21h30 – Concerto pela Orquestra de Bandolins da Madeira, no Teatro Municipal Baltazar Dias

5 de junho - 3.ª feira
XXXIII Festival de Música da Madeira
21h30 – Concerto de órgão por Jean-Patrice Brosse, na Igreja de São João Evangelista (Colégio)

6 de junho - 4.ª feira
XXXIII Festival de Música da Madeira
21h30 – Concerto de piano por António Rosado, no Teatro Municipal Baltazar Dias

8 de junho  - 6.ª feira
XXXIII Festival de Música da Madeira
21h30 – Concerto por Capella de Ministrers, na Igreja de São João Evangelista (Colégio)

9 de junho - sábado
XXXIII Festival de Música da Madeira
18h00 – Concerto pelo Trio Luís Andrade, no Auditório do Centro de Congressos do Casino da Madeira
21H00/22H15 – 23H00/00H30 – Espetáculo Musical de Inicio de Verão – Entrada do Cais da Cidade
22H30 – Espetáculo Piromusical – Tema: “A cor do amor”,  molhe exterior do Porto do Funchal (19 minutos de duração)

10 de junho - domingo
XXXIII Festival de Música da Madeira
18h00 – Concerto pelo Ensemble Aurora, na Igreja e Convento de Santa Clara

11 a 17 de junho
Semana Regional das Artes: Festa no Jardim, Encontros de modalidades artísticas, Exposição Regional de Expressão Plástica e ESCOLartes – Organização: Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos – Direção Regional de Educação/Gabinete Coordenador de Educação Artística – Espaço Infoarte da SRT, Placas Centrais da Avenida Arriaga, Teatro Municipal Baltazar Dias, Auditório do Jardim Municipal e Centro de Congressos da Madeira

15 a 24 de junho
Altares de São João com animação - Rua da Figueira Preta, Rua da Conceição, Travessa dos Reis, Praça do Carmo e Rua da Cooperativa

16 de junho – sábado
XXIII Feira do Pão Regional – Largo da Restauração, pelo Lions Clube do Funchal (até 17 de junho)
20H00/22H15 – Espetáculo Musical de Inicio de Verão – Entrada do Cais da Cidade
22H30 – Espetáculo Piromusical – Tema: “Danças de Luz”, molhe exterior do Porto do Funchal (19 minutos de duração)
23h00 – Serenata do Grupo Madeirense de Fados de Coimbra – Largo da Restauração

23 de junho – sábado
20h00/22h00 – Encontro dos Povos de África – Auditório do Jardim Municipal
21H00/22H15 – 23H00/00H30 – Espetáculo Musical de Inicio de Verão – Entrada do Cais da Cidade
22H30 – Espetáculo Piromusical – Tema: “Vibrações”, molhe exterior do Porto do Funchal (19 minutos de duração)

30 de junho – sábado
21H00/22H15 – 23H00/00H30 – Espetáculo Musical de Inicio de Verão – Entrada do Cais da Cidade
22H30 – Espetáculo Piromusical – Tema: “Feitiços”, molhe exterior do Porto do Funchal (19 minutos de duração)

Política agressiva

 
Um deputado grego de extrema-direita não gostou das críticas que duas deputadas de outros partidos lhes estavam a dirigir nem ao seu partido e decidiu fazer justiça pelas próprias mãos... Literalmente: primeiro foi um copo de água contra uma, depois umas valentes bofetadas noutra...
É inegável que em democracia todas as vozes e opiniões são válidas e devem ser respeitadas, mas quando pessoas assim conseguem assumir cargos de representação num parlamento nacional devemos repensar a forma como estamos a tratar a democracia ao permitir que se desrespeite o mais elementar dos direitos humanos. Não deixa de ser preocupante que a representação destas ideologias extremistas e perigosas esteja a aumentar e a conseguir mais votações de eleição em eleição, o que não acontece apenas na Grécia, como se sabe.
A repensar...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Espelho meu, espelho meu...

 
Estreou esta semana "Branca de Neve e o Caçador", com realização de Rupert Sanders. A história base é obviamente a da conhecida Branca de Neve e nem os seus anões faltaram à chamada para esta revisão um pouco mais negra, séria e adulta de um clássico da literatura infanto-juvenil.
Muitas caras conhecidas no elenco: Kristen Stewart, a nossa Branca de Neve, sempre pálida e a suspirar - só faltava um vampiro conhecido para parecer uma personagem já nossa bem conhecida; Chris Hemsworth, o Caçador; Sam Claflin, William, o "namoradinho" de infância da Branca de Neve, entre outros.
Mas sem dúvida que a grande protagonista e a personagem que move toda a ação e que arrasa todo o restante elenco é a brilhante Charlize Theron. Além de lindíssima, fica tão bem a fazer de má (tão bem que acabamos por ficar a torcer para que a rainha má vença).
Não é um filme de todo desinteressante (volto a dizer que vale pela vilã), mas não incomoda assistir a uma revisitação de uma história com pequenas variações e com um tom mais sombrio, para o qual a própria fotografia contribui. Quanto mais não seja para ir ao cinema, que é sempre bom!
Ah, só mais uma palavra para a banda sonora a provar que os Florence and the Machine não são uma banda qualquer e que deve ser seguida com interesse.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Rock in Rio Lisboa 2012


Não costumo ser uma pessoa invejosa. Mas desta vez foi mais forte do que eu... Não é razão para menos: viram bem o cartaz do Rock in Rio Lisboa deste ano? Só para falar do palco principal: METALLICA, EVANESCENCE, MASTODON, SEPULTURA, TAMBOURS DU BRONX, SMASHING PUMPKINS, LINKIN PARK, THE OFFSPRING, LIMP BIZKIT, LENNY KRAVITZ, MAROON 5, IVETE SANGALO, EXPENSIVE SOUL, STEVIE WONDER, BRYAN ADAMS, JOSS STONE, THE GIFT
BRUCE SPRINGSTEEN & THE E STREET BAND, XUTOS & PONTAPÉS, JAMES, KAISER CHIEFS... Até naquele slide, que passava por cima da cabeça dos milhares de pessoas concentradas no recinto da Bela Vista, eu era capaz de deslizar.
Muita animação e um principal objetivo - comemorar o rock, comemorar a música, comemorar a vida numa linguagem universal que, sendo diferente e destinada aos mais variados gostos, não deixa de conduzir a momentos inesquecíveis de comunhão e de boa disposição.
E da próxima vez talvez seja eu a fazer inveja a muita gente...

sábado, 2 de junho de 2012

Justiça


Hoje foi proferida a sentença para o ex-Presidente / ditador do Egito, Mubarak: prisão perpétua. É culpado de cumplicidade na morte de 846 manifestantes pacíficos nos protestos de janeiro do ano passado.
Fica por ajustar contas com anos e anos de repressão e ditadura, mas já se fez alguma coisa. 
Nos últimos anos, muitos passos foram dados a nível internacional para trazer justiça sobre muitas impunidades e genocídios. Esperemos que seja sempre pelas melhores razões e que o mundo seja um bocadinho melhor do que foi ontem.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Mais novidades nas escolas (a partir da notícia do Público on line)


Reproduzo a notícia do público on line acerca das novidades no Estatuto do Aluno, que passará a chamar-se Estatuto do Aluno e da Ética na Escola. Segundo parece, é um documento aprovado em Conselho de Ministros, que vai para a Assembleia para debate, mas que será alterado. Não percebi... Enfim, vejamos o que sairá daqui.

"Os planos individuais de trabalho destinado aos alunos faltosos vão ser substituídos por tarefas a favor da comunidade. E aos pais com filhos com excesso de faltas podem ser reduzidos apoios sociais ou aplicadas multas.
Em vez de a escola preparar planos individuais de trabalho para os estudantes que têm demasiadas faltas, o Ministério da Educação e Ciência defende que essas crianças e jovens façam trabalho a favor da comunidade, entre outras iniciativas, anunciou Nuno Crato, o ministro que tutela a Educação, no final do Conselho de Ministros desta quinta-feira, depois da aprovação do novo Estatuto do Aluno.
Quanto à responsabilização anunciada dos encarregados de educação pela falta de assiduidade dos filhos esta passará pela promoção de uma “forte censura social”, indicou o secretário de Estado do Ensino e da Administração Educativa, João Casanova de Almeida. Ao princípio da noite, o Ministério da Educação e Ciência adiantou em comunicado que esta "censura" pode levar "à redução de apoios sociais à família ou a contra-ordenações", conforme fora já antecipado em Dezembro pelo PÚBLICO. As multas aos pais nesta situação estão0 já prevista no Estatuto do Aluno em vigor nos Açores.
No comunicado do MEC acrescenta-se que, "no caso de se tratar de pais ou encarregados de educação de alunos apoiados pela Acção Social Escolar, a contra-ordenação é substituída pela privação do direito a apoio relativamente a manuais escolares". Os pais poderão ser também sujeitos a "programas de educação parental" por decisão das comissões de protecção de menores ou do Ministério Público.
O novo diploma, que segue agora para o Parlamento para debate e aprovação ( só será divulgado publicamente quandoi for remetido para a Assembleia da República), mudou de nome e intitula-se Estatuto do Aluno e Ética Escolar.
Segundo Nuno Crato, esta alteração deve-se ao facto de o novo estatuto não pretender ser apenas uma explicitação dos deveres dos alunos, mas sim visar a sua integração numa ética da escola.
Sobre o fim dos Planos Individuais de Trabalho (PIT), introduzidos por Isabel Alçada e que substituíram as provas de recuperação lançadas por Maria de Lurdes Rodrigues, o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida esclareceu que estes eram “essencialmente burocráticos” e que “a maioria não era cumprida”, Representavam “um sobrecarga sobre os professores, com resultados muito diminutos”, frisou.
Casanova de Almeida acrescentou que, com o novo estatuto, competirá às escolas “escolher a melhor forma de integrar” os alunos com excesso de faltas. No entanto, em caso persistente de absentismo, as escolas serão obrigadas a assinalar estes alunos junto das comissões de protecção de menores e jovens. Esta obrigação já existe, mas segundo o secretário de Estado passará a existir agora um “cuidado diferente na articulação com as comissões de protecção” através de “meios humanos” que vão ser disponibilizados pelo ministério.

Penas agravadas

Os alunos que forem suspensos por mais de cinco dias também terão de ser sinalizados junto das comissões. Mas no geral, segundo Crato, serão os Conselhos Gerais dos agrupamentos - os órgãos onde estão representados professores, auxiliares, pais e autarquias – que definirão as medidas disciplinares a aplicar aos alunos. Entre os deveres dos alunos fixados no novo estatuto figurará a obrigação da reparação de danos causados na escola. 
Na sequência da aprovação do novo estatuto pela Assembleia da República, o Código Penal será alterado de modo a prever um agravamento em um terço das penas previstas para crimes contra a pessoa e o património ocorridos nas escolas ou relacionados com estas, esclareceu o secretário e Estado da Presidência do Conselho e Ministros, Marques Guedes.
Em vez de a escola preparar planos individuais de trabalho para os estudantes que têm demasiadas faltas, o Ministério da Educação e Ciência defende que essas crianças e jovens façam trabalho a favor da comunidade, entre outras iniciativas, anunciou Nuno Crato, o ministro que tutela a Educação, no final do Conselho de Ministros desta quinta-feira, depois da aprovação do novo Estatuto do Aluno.
Quanto à responsabilização anunciada dos encarregados de educação pela falta de assiduidade dos filhos esta passará pela promoção de uma “forte censura social”, indicou o secretário de Estado do Ensino e da Administração Educativa, João Casanova de Almeida. Ao princípio da noite, o Ministério da Educação e Ciência adiantou em comunicado que esta "censura" pode levar "à redução de apoios sociais à família ou a contra-ordenações", conforme fora já antecipado em Dezembro pelo PÚBLICO. As multas aos pais nesta situação estão já prevista no Estatuto do Aluno em vigor nos Açores.
No comunicado do MEC acrescenta-se que, "no caso de se tratar de pais ou encarregados de educação de alunos apoiados pela Acção Social Escolar, a contra-ordenação é substituída pela privação do direito a apoio relativamente a manuais escolares". Os pais poderão ser também sujeitos a "programas de educação parental" por decisão das comissões de protecção de menores ou do Ministério Público.
O novo diploma, que segue agora para o Parlamento para debate e aprovação ( só será divulgado publicamente quando for remetido para a Assembleia da República), mudou de nome e intitula-se Estatuto do Aluno e Ética Escolar.
Segundo Nuno Crato, esta alteração deve-se ao facto de o novo estatuto não pretender ser apenas uma explicitação dos deveres dos alunos, mas sim visar a sua integração numa ética da escola.
Sobre o fim dos Planos Individuais de Trabalho (PIT), introduzidos por Isabel Alçada e que substituíram as provas de recuperação lançadas por Maria de Lurdes Rodrigues, o secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida esclareceu que estes eram “essencialmente burocráticos” e que “a maioria não era cumprida”, Representavam “um sobrecarga sobre os professores, com resultados muito diminutos”, frisou.
Casanova de Almeida acrescentou que, com o novo estatuto, competirá às escolas “escolher a melhor forma de integrar” os alunos com excesso de faltas. No entanto, em caso persistente de absentismo, as escolas serão obrigadas a assinalar estes alunos junto das comissões de protecção de menores e jovens. Esta obrigação já existe, mas segundo o secretário de Estado passará a existir agora um “cuidado diferente na articulação com as comissões de protecção” através de “meios humanos” que vão ser disponibilizados pelo ministério.

Penas agravadas

Os alunos que forem suspensos por mais de cinco dias também terão de ser sinalizados junto das comissões. Mas no geral, segundo Crato, serão os Conselhos Gerais dos agrupamentos - os órgãos onde estão representados professores, auxiliares, pais e autarquias – que definirão as medidas disciplinares a aplicar aos alunos. Entre os deveres dos alunos fixados no novo estatuto figurará a obrigação da reparação de danos causados na escola. 
Na sequência da aprovação do novo estatuto pela Assembleia da República, o Código Penal será alterado de modo a prever um agravamento em um terço das penas previstas para crimes contra a pessoa e o património ocorridos nas escolas ou relacionados com estas, esclareceu o secretário e Estado da Presidência do Conselho e Ministros, marques Guedes.
Entre os deveres dos estudantes figura também a proibição de difundir imagens e/ou sons captados sem autorização e a obrigação de respeitar todos os elementos” da comunidade escolar. O novo estatuto recupera também a possibilidade de os alunos serem excluídos, conforme o PÚBLICO já adiantara, mas esta medida só se poderá aplicar a jovens com mais de 18 anos, uma vez que até essa idade são abrangidos pela escolaridade obrigatória. 

Matrizes curriculares

No Conselho e Ministros de hoje foram aprovados ainda os diplomas sobre a revisão curricular e o regime de matrícula e de frequência no âmbito da escolaridade obrigatória até aos 18 anos. Os diplomas vão ainda sofrer algumas alterações, pelo que não serão para já divulgados. Questionado pelos jornalistas, Crato insistiu que “não está prevista nenhuma redução de tempo” por comparação à proposta de revisão curricular que foi apresentada em Março, no final de um período de consulta pública.
As novas matrizes, divulgadas na semana passada pelo ministério, estão a criar confusão nas escolas, com muitos professores a denunciar que se traduzem num corte do tempo destinado às suas disciplinas, críticas que têm sido sobretudo feitas pelos docentes de Educação Física.
”Se as aulas de 45 minutos forem mantidas tudo se passará como foi apresentado em Março”, insistiu Crato. Em vez de calcular os tempos lectivos em blocos de 45 e 90 minutos, como até agora, o ministério, que vai dar autonomia às escolas para fixarem os tempos das aulas, apresentou o total de minutos semanal para cada disciplina, o que está a contribuir para a confusão gerada nas escolas. Crato indicou que as direcções regionais de educação irão reunir com directores de todo o país para explicarem o novo modelo.

Novo tipo de matrículas
Quanto ao novo regime de matrícula, o ministro indicou que vão ser implementadas “várias modalidades”, entre elas a matrícula no secundário regular, no profissional e por disciplina, de modo a “conciliar o estudo com algum trabalho” fora da escola. 
Marques Guedes acrescentou que vão ser feitas alterações pontuais ao Código de Trabalho de modo a adaptá-lo ao novo limite da escolaridade obrigatória. A idade legal de início do trabalho é de 16 anos, e vai manter-se, mas serão alteradas as disposições que obrigam os empregadores a só contratar os jovens que, com esta idade, tenham concluído a escolaridade obrigatória, acrescentou."

Sempre Sophia...


VIII

Vi as águas os cabos vi as ilhas
E o longo baloiçar dos coqueirais
Vi lagunas azuis como safiras
Rápidas aves furtivos animais
Vi prodígios espantos maravilhas
Vi homens nus bailando nos areais
E ouvi o fundo som das suas falas
Que já nenhum de nós entendeu mais
Vi ferros e vi setas e vi lanças
Oiro também à flor das ondas finas
E o diverso fulgor dos outros metais
Vi pérolas e conchas e corais
Desertos fontes trémulas campinas
Vi o rosto de Eurydice das neblinas
Vi o frescor das coisas naturais
Só do Preste João não vi sinais

As ordens que levava não cumpri
E assim contando tudo quanto vi
Não sei se tudo errei ou descobri.

Sophia de Mello Breyner Andresen,
 in Navegações (3ª ed.), Lisboa,
 Caminho, 1996.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tão mau que mete dó

Não sei se é para rir ou para chorar: toda a situação é tão má que mete dó. Abstenho de fazer mais comentários... Gostaria que a história ficasse por aqui mas, segundo parece, ele promete voltar... Tenho medo, muito medo! Assim vai a nossa praça pública. É caso para dizer: chora, chora, quanto mais choras, menos mijas!

terça-feira, 29 de maio de 2012

O fim de um ciclo


Cheira a fim de regime mas a banda continua a tocar, tal como no Titanic. Dois factos políticos hoje o denunciam.
Uma moção de censura apresentada pelo PS-Madeira contra o governo regional do PSD (que teria a vantagem de unir toda a oposição madeirense) foi retirada quando o partido proponente constatou que o Presidente do Governo Regional não se encontrava presente. Na verdade, tal facto não é novo, pois ao longo de quase 40 anos tem sido assim: a falta de respeito pelo parlamento regional é "imagem de marca" de quem governa este pedaço de terra. Mas a verdade é que uma maioria "segura" por um deputado e que assume as mesmas atitudes de arrogância de sempre corre riscos de se afundar mais cedo do que o previsto.
Outro facto: uma sondagem publicada hoje pelo DN-Madeira dá conta de que, se as eleições regionais fossem hoje, algumas alterações teriam impacto na paisagem política da Madeira: o PSD perderia maioria, apesar de voltar a ser o partido mais votado, e ficaria com 22 deputados, ao passo que PP, PS e CDU ficariam com mais um deputado cada. O PTP também perderia um deputado e o BE voltaria a ter representação parlamentar. De salientar que o eleitorado considera que o Presidente do Governo Regional mentiu aos madeirenses.