Quem me conhece já sabe que esta altura que se aproxima é a minha época preferida do ano. O Natal e o fim do ano (a Festa, como se diz) é especial para os madeirenses. Gosto do Funchal assim, iluminado e animado. Por uns dias, podemos esquecer um pouco crises e dificuldades e respirar um pouco mais de luz.
Armado em turista, lá fui eu, de máquina em punho, fotografando tudo à minha frente. Eis algumas das razões que fazem desta cidade uma das mais bonitas.
Segundo parece, faleceu a 4 de dezembro de 2012, Oscar Niemeyer, um dos maiores arquitetos de que há memória. Sempre na demanda de um mundo mais funcional e bonito (conceitos sempre ligados no seu pensamento pragmático), foi desde cedo considerado como "o" expoente internacional da arquitetura moderna.
Na Madeira, apesar das polémicas que levaram a que negasse como sua a obra aqui concluída, o Casino da Madeira e o Casino Hotel terão sempre uma impressão digital de um homem que projetou das construções mais arrojadas na história da arquitetura.
Numa passagem por Lisboa, para participar no Lisbon & Estoril Film festival, Hanif Kureishi, ator inglês de romances, contos, peças de teatro, guiões para cinema, entre outros géneros, com obra parcialmente traduzida em português, foi entrevistado pela revista Atual, do Expresso, onde diz o seguinte: "A questão é: como se consegue expressar o desejo explícito? Penso que o único lugar é na poesia". Grande frase, quer se concorde ou não, quer se acredite ou não, quer se goste de poesia ou não... Mas sabemos que não nos é indiferente. Muito se refletiria a partir desta citação...
Várias personagens, ao longo de diferentes épocas, separadas por séculos, vivem múltiplas vidas, unidas por um desejo de esperança mas sofrendo agruras e dificuldades que apenas têm o efeito de levá-las a superar-se a si próprias. É uma brilhante metáfora (para não usar o plural que aqui cairia tão bem) da vida humana e do percurso que fomos fazendo ao longo de milhares de anos de civilização. Uma mensagem atual num mundo conturbado, onde a tendência para a exploração do indivíduo - nosso semelhante - mais fraco pelo mais forte, numa lei natural e darwinista levada ao extremo pela ganância do ser humano, onde os discursos fáceis e as ideologias fast-food, pensadas em cima do joelho numa sociedade demasiado capitalista e orientada para o lucro e para escravizar vastas camadas da população mundial, tende a relegar para segundo plano a dignidade humana que deveria ser sempre o farol que guia a nossa evolução enquanto espécie.
Esta introdução não consegue traduzir a imensidão de mensagens e de reflexões que "Cloud Atlas" proporciona ao espetador, numa mistura de géneros e de referências filosóficas, sugerindo teorias mais ou menos consensuais, tal como o karma, a reencarnação, a teoria do caos e nova era (até Castañeda é citado), a ligação cósmica que une pessoas e destinos, num misto de ficção científica, romance, aventura e humor, que não esquece as particularidades do ato da criação humana (música), o amor (homossexual), a guerra, a exploração, a ganância, entre muitas, mas muitas mais referências.
Baseado num livro de David Mitchell, realizado por Tom Tykwer, Andy Wàchowski e Lana Wachowski, tem um elenco de luxo, com a particularidade de alguns dos atores assumirem várias personagens ao longo de todo o filme: Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Wishaw, Keith David, James Darcy, Xun Zhou, David Gyasi, Susan Sarandon, Hugh Grant, entre outros.
Uma palavra também para a excelente caraterização, que ajuda a que alguns destes atores, sobejamente conhecidos, se tornem irreconhecíveis.
Um dos melhores filmes que vi, sem dúvida. A rever.
As mentes brilhantes que nos (des)governam desencantaram agora a teoria de que o ensino secundário tem de ser pago (ou semipago, ou num regime de copagamento, sela lá o que isso for - aposto que nem eles sabem o que querem). Pelo menos foi o que sugeriu ontem o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em entrevista à TVI. Já devíamos estar à espera vindo das pessoas que neste momento governam Portugal.
Já começaram os argumentos do costume e toda a gente vai ter uma opinião formada sobre o assunto, porque sabemos bem que, em Portugal, sobejam especialistas de bancada que sabem mais sobre os assuntos do que quem tem efetiva formação sobre os mesmos.
Os advogados e juristas irão triturar a Constituição, encontrando os maiores argumentos legais para justificar um crime ético e moral contra um dos direitos mais básicos do ser humano. Parece-me óbvio, claro como a água, que esta medida não devia ter fundamentação nenhuma. Serei só eu?
Lançam-se medidas a ver se colam, não se explica, não se debate, não se ouve, não se discute, não se reconhece que o acesso à educação e ao ensino é um dos elementos básicos da vida em sociedade negado durante gerações inteiras a amplas camadas sociais.
Ninguém vai lutar contra isto? Esperemos por novos desenvolvimentos para saber em que moldes essas medidas serão (se efetivamente forem) implementadas.
Tenho um sentido de humor um pouco estranho, por isso não pude deixar de partilhar... Rir ainda continua a ser um bom remédio para os dias de hoje. Uma pausa na crise e más notícias para desanuviar...